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quarta-feira, 12 de maio de 2010

Centro Pompidou inaugurou a sua extensão em Metz


Não é um museu convencional, já que não tem colecção própria; também não é apenas um centro para exposições temporárias - ambiciona ser mais do que isso. O novo Pompidou-Metz, ontem oficialmente inaugurado pelo Presidente francês, Nicolas Sarkozy, quer ser para esta cidade francesa a leste de Paris (80 minutos, de TGV) o que o Museu Guggenheim foi para Bilbau.

"O que aqui se joga não é mais nem menos do que o renascimento da Lorena", disse na inauguração o Presidente francês, à frente de uma embaixada de centenas de convidados que viajaram de Paris e praticamente lotaram a capacidade do novo e desconcertante edifício projectado pela dupla de arquitectos Shigeru Ban, japonês, e Jean de Gastines, francês.

Do que Sarkozy, citado pela agência AFP, estava a falar era do projecto mais amplo de modernização da capital da Lorena, uma cidade de 130 mil habitantes, deprimida e algo abandonada à sua imagem de velha praça militar (na fronteira com a Alemanha e o Luxemburgo) e de centro industrial que já viveu melhores dias.

Agora, com o seu novo Pompidou - na que é a primeira "antena" na província de uma grande instituição cultural parisiense -, Metz começa a ver concretizado um puzzle de renovação urbanística numa área de 50 hectares que incluirá um centro de congressos e uma mediateca, além de novos espaços habitacionais e comerciais, num plano genericamente gizado pelo arquitecto-urbanista Nicolas Michelin.

Por agora, o que chama mesmo a atenção no lugar é a arquitectura do Centro Pompidou-Metz: uma estrutura em "mikado" formada por três "caixas de sapatos" sobrepostas, suportadas por três pilares e cobertas por uma membrana que Shigeru Ban disse ter sido inspirada por um "chapéu de chinês" - e que o jornalista do Libération, Vincent Noce, associou a "uma casa dos Estrumfes", as personagens do ilustrador Pierre Culliford.

Cem a 120 mil visitantes

No conjunto, o edifício tem uma área de 10 mil metros quadrados, metade destinados a exposições. Inclui dois auditórios, com 196 e 144 lugares cada. A construção, projectada há uma década e iniciada há três anos, custou 72,5 milhões de euros. A expectativa dos responsáveis (o director é Laurent Le Bon) é que o museu atraia anualmente à capital da Lorena entre 100 mil e 200 mil visitantes.

A exposição inaugural tem por título Obras-primas?, e reúne 780 obras dos principais nomes da arte moderna e contemporânea desde o início do século XX, empréstimos tanto da casa--mãe parisiense como dos museus do Louvre, Quai Branlay e Versalhes.

Braque, Malevitch, Chagall, Léger, Brancusi, Kandinsky, Picasso, Ernst, Pollock, Giacometti e Dubuffet são alguns dos nomes representados na exposição que Vincent Noce classifica como "a Primavera de Metz, que convida a uma bem-humorada revolta contra todos os 'ismos'".

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Siza vieira assina primeiro Museu para o estado na Nazaré




O primeiro museu do Estado com assinatura do arquitecto Siza Vieira, o Museu Dr. Joaquim Manso, foi hoje apresentado na Nazaré, prevendo-se que a sua construção comece em 2010.

A obra, de seis milhões de euros, passa pela demolição do actual museu, uma moradia do início do século XX instalada no Sítio, antiga casa de veraneio do escritor e jornalista Joaquim Manso, fundador do “Diário de Lisboa”, e no seu lugar a criação de um edifício de quatro pisos.

No final da sessão de apresentação do projecto, a secretária de Estado da Cultura, Paula Fernandes, disse acreditar que o museu arqueológico e etnográfico vai ser uma “referência museológica”, mas também “arquitectónica”.

“Estou certa que será um projecto de grande relevância porque hoje os museus vivem não só dos seus acervos, mas também muito do que é o projecto arquitectónico”, afirmou Paula Fernandes.

Para a secretária de Estado este será “grande museu”, sublinhando “o traço do arquitecto Siza Vieira, o que é, obviamente, uma coisa significativa”.

“Estou convicta que será um museu que, para além de ser bonito, responda, por um lado, aos anseios das pessoas da Nazaré e, por outro lado, venha a ser muito vivido, visitado e estimado pelos daqui e pelos que de fora o venham visitar”, declarou.

Por seu turno, o presidente da Câmara Municipal da Nazaré, Jorge Barroso, realçou que o futuro edifício “irá dignificar” uma zona que considerou ser “nobre”, o Sítio, acrescentando a importância de ter o desenho de Siza Vieira.

Já o arquitecto Siza Vieira admitiu que “há condições para ser um bom museu”, numa alusão à equipa de trabalho que o acompanha, acrescentando, por outro lado, que “outra condição é por ser na Nazaré”.

Siza Vieira reconheceu que a realização do projecto foi uma “oportunidade fantástica”.

“O material a expor também é muito interessante, coisas ligadas ao mar, e é num local tão especial que é conhecido por o Sítio”, referiu, resumindo, desta forma, o trabalho: “O projecto deve melhorar o que lá está e deve parecer que já lá estava. Deve parecer que tinha que ser assim”.

O futuro Museu Dr. Joaquim Manso estende-se por quatro pisos, sendo que o rés-do-chão é ocupado, na quase totalidade, pela zona pública, onde estão, além de áreas para exposições – permanente e temporária -, cafetaria, biblioteca, loja e um auditório.

No piso -1 está prevista, igualmente, uma área de exposições, mas também serviços de restauro ou oficinas pedagógicas, enquanto no piso -2 vão estar as reservas do museu, as visitáveis e as não visitáveis.

A zona administrativa vai ocupar o piso 1.

Durante as obras para o novo edifício, que se estima durarem dois anos, o museu vai ser instalado provisoriamente num espaço da autarquia, localizado na praia.