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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Desenvolvimento em altura

Cada vez mais se assiste ao recurso de projectos com conteúdos programáticos desenvolvidos em altura, afirmando uma "nova" arquitectura apoiada sobre novas técnicas de construção e tecnologias, potenciando a standartização, minimização de custos e ganho em termos de eficiência energética.

Arquitectos como a Zaha Hadid, Rem Koolhas, Ven Ben Berkel, Sou Fujimoto entre tantos outros, apostam nesta aparente tendência não por uma nova moda mas precisamente porque os seus estudos prévios, realizados por encomenda ou por auto recriação, são obrigados a respeitarem os lugares onde se inserem.


Este respeito advém a maior parte das vezes, pela própria necessidade dos promotores se sustentarem sobre o tecido urbano existente para potenciar novos investimentos, possibilitando numa área fortemente densa em termos urbanisticos, fazer o correspondente investimento em altura, minimizando o impacto na sua envolvente.

Agora o que muitas vezes outrora foi criticado, pelos mais diversos arquitectos sobre as visionárias torres biónicas que se desenvolvem segundo o mesmo conceito das tão conhecidas cidades jardim, parece, que já não existe crítica no impacto que por vezes têm estas mega estruturas comparadas ás estruturas urbanas existentes quando têm que coabitar no mesmo tempo.

Fica porém a esperança de num futuro próximo, planeamentos urbanos e leis de gestão urbana bem como políticas de ordenamento do território se adequarem ás novas necessidades e de uma vez por todas, pensar tridimensionalmente no espaço e na criação das cidades adoptando modelos sustentados numa evolução e desenvolvimento de relações de proximidade espacial criando o equilibrio natural entre o construído e a matéria verde.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Fantasporto: Sou Fujimoto defende um "futuro primitivo" para a arquitectura

Primeira conferência do ciclo “Nas Ruínas do Futuro” contou com a presença do premiado arquitecto Sou Fujimoto. Novos conceitos de arquitectura estiveram em debate no Fantasporto.

O arquitecto japonês Sou Fujimoto encheu o Grande Auditório do Rivoli, numa sessão em que foram apresentados os projectos do colectivo “Sou Fujimoto Architects”, incluindo a Casa da Madeira, o projecto vencedor do World Architecture Festival, em Barcelona, que apresenta uma estrutura baseada num tipo de encaixe tradicional japonês.

Segundo Fujimoto, “a arquitectura do futuro é baseada no corpo das pessoas, no seu dia-a-dia” e é nesse sentido que reflectir sobre uma arquitectura inovadora implica pensar a “arquitectura primitiva”. Partindo da dicotomia “ninho”/“caverna”, o orador explicou que, enquanto o primeiro modelo é funcionalista e tem em conta o sentido de conforto dos habitantes, o arquétipo de “caverna” exprime um funcionalismo criativo, em que as próprias pessoas definem o espaço de acordo com as suas necessidades. Em vez de oprimir as funções, a caverna é um ambiente provocador e não restrito.

Sou Fujimoto apresenta uma nova proposta: “no floor, no pillar, no stairs but gradation of field”. Assim, mistura os conceitos como "natureza", "cidade" e "casa", com a noção de que “espaço é relacionamento”.

Um dos grandes projectos da equipa Sou Fujimoto Architechts é o Centro de Reabilitação Psiquiátrica de Crianças, em Hokkaido, no Japão. O espaço desenvolvido não só é uma grande casa, como é também uma pequena cidade. O orador salienta que, apesar de a disposição das caixas não o aparentar, o projecto é o resultado de um design bastante preciso e pensado.

A "House O” e a “House N” são outras propostas deste arquitecto japonês. Conceitos como continuidade, gradação, escalas, camadas, interior e exterior são as grandes características destes projectos. Numa altura em que as questões ambientais estão na ordem do dia, Sou Fujimoto acredita que é tempo para repensar a era moderna de excesso de controlo. Como tal, o ser humano deve aprender a adaptar-se, em vez de tentar controlar.

Na conferência ainda houve tempo para falar sobre os novos planos do colectivo Sou Fujimoto Architechts. No próximo mês, começa a construção de uma biblioteca em Tóquio, que estará pronta na próxima Primavera, e, em Outubro, estará pronto o irreverente "Tokyo Apartment".

Próxima conferência
O ciclo "Nas Ruínas do Futuro" continua quinta-feira, 19 de Fevereiro. O arquitecto Marcos Cruz é o orador da sessão. O português, radicado no Reino Unido, viu a sua tese de doutoramento ser distinguida com o prémio Riba da Associação de Arquitectos Britânica.

Por Sara Santos Silva - jpn@icicom.up.pt
Publicado: 18.02.2009 | 19:23 (GMT)
Em : http://jpn.icicom.up.pt/2009/02/18/fantasporto_sou_fujimoto_defende_um_futuro_primitivo_para_a_arquitectura_.html