terça-feira, 10 de março de 2009

Apartamentos MiLoft - RMJM

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O atelier RMJM desenvolveu um conceito sobre edifícios de apartamentos que não precisam de instalações dedicadas ao aquecimento do ar bem como ao aquecimento de águas potenciando a economia de meios energéticos.

Segundo o atelier e os engenheiros associados ao desenvolvimento desta ideia, este projecto não necessita de equipamentos destinados ao aquecimento.

Trata-se de um conceito que combina os meios passivos possíveis para o aproveitamento dos ganhos solares e o aproveitamento de diferenciais de temperaturas para gerar energia eléctrica como acontece nos tradicionais equipamentos geotermicos.

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Ao que parece o governo britânico bem como alguns políticos demonstram interesse no sistema concebido devido sobretudo á consideração inegável de economia energética face a soluções convencionais.

O projecto aproveita também a cobertura para criar generosos pavimentos ajardinados, retomando um dos 5 principios de corbusier no aproveitamento das coberturas para a relação do utente com a cidade e o lugar.

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O aproveitamento da cobertura para espaços verdes gera o arrefecimento necessário em contraste com os espaços envidraçados, podendo-se com isto jogar entre as diferenças de temperatura geradas, com factores como a ventilação natural, acumulação natural de calor e arrefecimento bem como a criação de águas quentes.

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sexta-feira, 6 de março de 2009

Extensão Norte do Centro de Saúde de Évora - João Modas + Ricardo Lucas


A Extensão Norte do Centro de Saúde de Évora pretende ser uma resposta da Administração Regional de Saúde às carências existentes actualmente na cidade de Évora ao nível da prestação dos serviços de saúde. Pretende também dotar a zona Norte da cidade de um equipamento que venha a responder ao crescimento urbano e populacional previsto naquela zona de expansão de Évora.

Localizado junto à muralha que delimita o centro histórico de Évora, o edifício está inserido numa zona de expansão projectada que prevê a construção de diversos equipamentos (zona comercial; universidade; parque urbano) em convivência com áreas habitacionais e de serviços.


De modo a contribuir, na sua cota parte, para um espaço urbano de qualidade e sobretudo vivível, o centro de saúde "abre" o seu espaço exterior ao uso público. Desta forma todo o interior do terreno é acessível ao público que aí pode disfrutar de zonas ajardinadas (ainda não concluídas) para permanência de curta duração articuladas com zonas de estacionamento não massivo.
Implantação
A construção implanta-se junto ao arruamento de acesso, configurando uma frente de rua contínua, aspecto obrigatório de acordo com as indicações dos serviços técnicos urbanísticos da autarquia de Évora.

Nas faixas laterais entre a construção e os lotes a Norte e a Sul desenvolve-se a circulação de acesso ao interior do terreno para estacionamento e acesso de ambulâncias. No espaço entre a construção e os lotes a Poente desenvolve-se o estacionamento com sombreamento através de árvores a plantar e circuitos pedonais que permitem o acesso ao edifício.

Estas áreas foram estruturadas e integradas com o edifício através de um projecto de arranjos exteriores, que contempla igualmente uma proposta de arranjo paisagístico através da plantação de espécies de arbustos e árvores.

O projecto baseia-se no programa funcional fornecido pelo promotor proporcionando-se uma articulação dos espaços simples e funcional e uma composição arquitectónica que resulta da organização interna dos espaços.

Tratando-se de um edifício isolado no terreno, foi possível obter as melhores exposições solares, estando as aberturas para o exterior dimensionadas de forma a conseguir um equilibrio térmico da construção. Este aspecto é melhorado através de um recuo da fachada relativamente às lajes de 0,8m na fachada Nascente e 1,2m nas restantes fachadas.

Assim é possível obter um sombreamento longitudinal, em especial na época do verão onde os ângulos máximos de incidência solar variam entre os 50º e 75º, conseguindo superfícies sombreadas entre 0,95m e 3,00m no quadrante Nascente e entre 1,45m e a totalidade da parede no quadrante Poente.

Os vão exteriores são criteriosamente implantados com três dimensões diferentes de modo a originar ritmos aparentemente aleatórios que sugerem um movimento na leitura da fachada.

O edifício desenvolve-se numa planta em forma de “L” formando dois blocos unidos por uma zona de acessos verticais, permanência e distribuição horizontal fazendo-se o acesso ao edifício ao nível do piso 0.

Assim, acede-se ao átrio principal com entradas pelo arruamento principal e também pela zona tardoz junto ao estacionamento sendo nesta que se processa a entrada e saída de pacientes transportados em ambulância.

O átrio principal funciona também como zona de espera e permanência. Desta forma a abertura de vãos e o consequente contacto com o exterior foi particularmente tido em conta. Dois grandes vãos envidraçados ligam esta zona de permanência para os dois lados do edifício, podendo contemplar-se a partir daqui a extensa planície no sentido Nascente e o histórico Aqueduto da Água da Prata no sentido Poente.

A partir do átrio principal pode-se aceder à Unidade de Saúde Familiar num bloco ou à zona de apoio e Unidade de Saúde Infantil no outro bloco. É neste átrio que se localizam os principais acessos verticais do edifício (escada e elevador monta-macas) que permitem o acesso ao piso 1, onde, se localiza outra Unidade de Saúde Familiar num bloco e a Unidade de Cuidados da Comunidade e Unidade de Diagnóstico Pneumulógico no outro bloco.

Nas paredes exteriores, revestidas a reboco monomassa na cor cinza, pretendeu-se uma cor sóbria que conceptualmente se inspira nos típicos socos e guarnecimentos eborenses caiados entre outras cores, no cinzento aqui escolhido.

Esta cor neutra serve de base à abertura aparentemente aleatória dos vãos exteriores.As cores da paisagem alentejana surgem no interior do edifício nas diversas zonas de atendimento e espera, o que torna fácil e clara a sua identificação.

Encontramos, assim, o grená dos campos lavrados, o verde e o ocre das cearas na primavera e no verão, e o azul do imenso céu das planícies.


Arranjos exteriores

Os espaços exteriores do Centro de Saúde foram concebidos para que os utentes e profissionais não tivessem que percorrer grandes distâncias permitindo o acesso fácil (pedonal e viário) às diferentes áreas. Com a disposição dos percursos, estacionamentos e zonas de permanência, pretendeu-se estabelecer um contacto directo e visual entre o interior do edifício e o exterior. Evitando-se um estacionamento massivo, conceberam-se espaços abertos nas proximidades da entrada principal do edifício, no topo Norte e nas zonas de estacionamento no interior do lote, os quais podem ser utilizados como percursos de acesso aos automóveis bem como pontos de estadia exterior, estabelecendo assim um espaço público que se relaciona com o interior, usufruível e que promove a sociabilidade.

Características construtivas

A estrutura do edifício é em betão armado, concebida como uma rede tridimensional de vigas e pilares em betão armado, nos quais apoiam lajes do tipo funjiforme maciço.As paredes exteriores são de alvenaria de tijolo revestidas a reboco monomassa, ao passo que as interiores são em estrutura de perfis de aço galvanizado revestida por painéis de gesso cartonado barrados e pintados.

Por não terem funções estruturais, as paredes interiores foram concebidas para assegurar as compartimentações e as exigências funcionais específicas dos espaços que delimitam, incluindo o conforto e a segurança.


Este aspecto facilita uma futura adaptação da compartimentação do edifício a novas exigências do actual uso, ou a uma mais significativa alteração de uso.

Nos átrios e zonas de espera aplicou-se um pavimento nobre em pedra mármore cinza escuro da região, nas salas e corredores aplicou-se um pavimento vinílico e nas zonas húmidas aplicou-se um pavimento de grês porcelânico.

As coberturas são inclinadas, com painéis de chapa metálica tipo “sanduiche” com isolamento térmico incluído e com cor cinza claro , aplicados sobre uma estrutura metálica leve apoiada na laje de betão do último piso.Ficha de Identificação


Local - Estrada Municipal 527, Horta do Poço Novo, Évora

Promotor - Administração Regional de Saúde do Alentejo

Ficalização

Departamento de Instalações e Equipamentos da Administração Regional de Saude do Alentejo

Execução da obra
- Outubro de 2007 a Dezembro de 2008

Autores Arquitectura

Ricardo Stubner Honrado Lucas, Évora 1976, OA 9409
João Afonso Modas, Évora 1977, OA 1216

Colaboradores arquitectura

Ana Rita Marques, arquitecta
Silvia Merca, arquitecta
Joana Pires, arquitecta paisagista (arranjos exteriores)

Colaboradores grafismo
Francisco Alves, est. Arquitectura
Sérgio Vieira, est. Artes plásticas

Autores Especialidades
Fundações e Estruturas
Alexandre Carriço, engenheiro civil

Segurança contra Incêndios - Nuno Vargas, engenheiro civil

Drenagem de esgotos; Abastecimento de água; Infaestruturas eléctricas e ITED

Departamento de Instalações e Equipamentos da Administração Regional de Saude do Alentejo



Material gentilmente cedido por:


João Modas + Ricardo Lucas | arquitectos

Casa do Telhado Flutuante - Arquitectos Tezuka



Esta casa construída em Okayama - Japan e projectada por Tezuka encontra-se no final de uma colina de tal modo projectada que nos deixa a sensação de cobertura apenas.

De facto Tezuka, explorando minuciosamente os princípios de Mies Van Der Rhoe, consegue abrir e expor de forma fenomenal toda a envolvente do lugar para o interior desta casa.



Fazendo recurso a elementos de mobiliário e paredes interiores, como elementos estruturais, provoca deliberadamente a ausência de estrutura no olhar do observador elegendo as relações espaciais como o ponto principal de atenção entre lugar e espaços interiores.




Central Rodoviária da RATP em Thiais, França - ECDM














Os arquitectos Emmanuel Combarel Dominique Marrec projectaram uma central de transportes localizada a sul de Paris entre grandes zonas verdes e intersecções rodoviárias que integram o sistema de transportes de Paris. O centro controla quase toda a zona sul de transportes de autocarros de Paris.
















Com capacidade para 300 lugares de autocarros, todos os dias passam pelo edifício cerca de 800 condutores para além de todos o pessoal que trabalha nos serviços e utentes, tratando-se sobretudo um edifício que se caracteriza no seu uso pelo fluxo de pessoas que diáriamente passa por ele.



A partir daqui o atelier ECDM tomou como ponto de partida para o projecto, a ideia de que seria preciso reduzir ao máximo o dialogo formal do projecto através de um elemento único que "agarrase" todo o edifício que resultaria num aspecto monolitico dando continuidade entre estrada, circuitos viários e interior do edifício e percursos pedonais.

A partir daqui definiram o programa interior como se de um miolo se tratasse, reasgando esse mesmo elemento que une e gera espaço.
Este elemento surgiu pelas próprias caracteristicas exigidas num edifício deste genero, ou seja, durabilidade, resitência ao desgaste, apelativo, homogeneo, preciso, informal com a estrutura e constante.





Definiram uma materialidade entre o asfalto e o betão com uma métrica e textura parecida ao das peças de lego podendo ser desenhada e aplicada em qualquer dos sentidos conferindo continuidade espacial.

A plasticidade do material e a sua resitência, possiblitam responder ás mais exigentes solicitações bem como á multiplicidade de usos de forma adequada á ideia inicial de projecto.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Dutch architects Grosfeld van der Velde

Dutch architects Grosfeld van der Velde desenharam esta casa localizada numa pequena encosta junto a Asterdplas em Breda.



A "S House" foi concebida de modo a minimizar o seu impacto de implantação no local potenciando a relação dos espaços interiores com o exterior através da elevação do pavimento interior de modo a favorecer o olhar sobre a paisagem.



Os pátios que circundam toda a casa, fazem o prolongamento natural do seu interior aliado á criação de grandes váos que dão ao pojecto uma ambiencia leve e transparente.




A casa alberga ainda um escritório do seu dono onde recebe os seus clientes, ficando bem definido programaticamente não interferindo na vivência da casa enquanto habitação.








Casa Vader, Fitzroy, Australia

A partir do traçado usual do corte tradicional de uma casa, Andrew Maynard projecta esta casa muito em torno da arquitectura contemporânea e do tema da casa pátio.


Casa Vader, Fitzroy, Australia | Andrew Maynard

A profundidade da casa resulta de uma extrusão da silhueta desse mesmo corte que acaba por ser o elemento gerador de todos os espaços e ambientes da casa.

Casa Vader, Fitzroy, Australia | Andrew Maynard

Através de novas materialidades, Andrew Maynard, consegue de forma notável dar uma nova expressão á casa tradicional de duas águas.


Casa Vader, Fitzroy, Australia | Andrew Maynard

Por outro lado, o retorno á temática da casa pátio, faz com que consiga "proteger" a casa dos ambientes envolventes, conseguindo ainda assim assegurar fortes relações pontuais entre interior e exterior.

Esta relação muito importante entre interior e exterior é enfatizada sobretudo pelo recurso de planos de vidro e soluções transparentes como os engradados metálicos e grandes vãos abertos para o pátio.

Casa Vader, Fitzroy, Australia | Andrew Maynard

Casa Vader, Fitzroy, Australia | Andrew Maynard

Eficiência energética - Estaremos no bom caminho?

Face à recente dependência de um certificado energético para a realização de uma qualquer escritura de uma casa ou imóvel, bem como para a obtenção de uma licença de utilização, o que acho bem, inscrevi-me num curso certificado pela ADENE ao que corresponderia ao 1º módulo para a obtenção das habilitações necessárias de modo a poder ser perito qualificado.

Qual não é o meu espanto de para além de se tratar de um módulo onde são aprendidos os conceitos básicos do domínio do regulamento e respectivos cálculos, ensinarem sem qualquer tipo de problema a arquitectos e engenheiros que se pode corrigir os resultados do regulamento apenas e observem bem ao que chegámos, colocar aparelhos de ar condicionado desde que sejam Classe A.

De facto o regulamento permite ainda isto e muito mais, pela diminuição das próprias necessidades de aquecimento e arrefecimento do edifício em causa que se torna assim e ridiculamente substituido por aparelhos ditos eficientes.

O mais preocupante é que constato de que não era só ensinado onde estive mas em quase todos os cursos ministrados em que obtive os mesmos comentários por parte de alguns colegas.

Fiquei bastante espantado, não querendo acreditar como se pode subverter um regulamento em que a base é e acho que sempre será a obtenção da eficiência energética pelos meios construtivos e não pela adição de aparelhos.

As necessidades de arrefecimento e de aquecimento deverão ser conseguidas sobretudo pela própria concepção do projecto atendendo ao local e características geográficas do lugar, pela correcta exposição solar e sua orientação ao longo do ano bem como pela aplicação correcta dos materiais de modo a potenciar a sua inércia térmica e propriedades de isolamento.

E a isto tal como outros arquitectos o fazem com mestria e saber, chama-se a mínima noção de projecto em arquitectura e conhecimentos básicos de bio climática.

Depois de esgotadas as hipóteses de favorecimento natural e de estratégias passivas aí sim começamos a pensar na aplicação de aparelhos recorrendo a energias renováveis para compensações.